Um estudo conduzido por pesquisadores da França e dos Estados Unidos mostrou que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, pode mudar seu comportamento após experiências repetidas. Em testes de laboratório, os insetos passaram a tolerar o contato com repelentes depois de associarem o cheiro do produto à alimentação.
A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Experimental Biology. O trabalho investigou a capacidade de aprendizado e memória de insetos que transmitem doenças. Os resultados indicam que o mosquito pode criar associações entre estímulos, alterando sua reação a odores que antes provocavam fuga.
Os cientistas usaram o DEET, um dos repelentes mais comuns no mundo, para avaliar o comportamento das fêmeas do Aedes aegypti. Durante o experimento, os mosquitos recebiam alimento, como sangue ou açúcar, e logo depois eram expostos ao cheiro do repelente.
Após várias repetições, os insetos passaram a associar o odor do DEET ao momento da alimentação. Com isso, deixaram de evitar o repelente e aceitaram permanecer em contato com ele durante os testes.
Segundo os pesquisadores, o experimento mostra que o mosquito é capaz de aprender por associação, um mecanismo parecido com o observado em outros animais.
Os autores do estudo fazem um alerta: a pesquisa foi feita apenas em ambiente controlado de laboratório e não comprova que os mosquitos estejam ignorando repelentes no mundo real. Os cientistas destacam que não há evidências de que o Aedes aegypti tenha desenvolvido resistência ao DEET na natureza.
O repelente continua sendo considerado uma das formas mais eficazes de prevenção contra picadas e contra doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela.
A principal contribuição do estudo é ampliar o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro e do comportamento do mosquito. Os pesquisadores acreditam que entender como o inseto aprende pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de controle da dengue no futuro.
A recomendação permanece a mesma: usar repelentes aprovados pelas autoridades de saúde, eliminar focos de água parada e adotar medidas de proteção contra o mosquito. Os especialistas reforçam que, até o momento, não há orientação para interromper o uso de repelentes, que seguem sendo uma ferramenta importante na prevenção das arboviroses.
