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Bariátrica e Mounjaro: a caneta mudou a decisão de operar ou reverter

Bariátrica e Mounjaro disputam a mesma decisão, mas a caneta custa mais de 45 mil reais por ano.

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Bariátrica e Mounjaro: mulher segurando uma caneta injetável azul na mão

A dúvida entre bariátrica e Mounjaro chegou aos consultórios antes mesmo de a caneta entrar nas farmácias. Em junho de 2025, quando a Anvisa aprovou a tirzepatida para o tratamento da obesidade, o Brasil vinha de 75.264 cirurgias bariátricas em um ano. Em 2025 o número subiu para 76.348, alta de 1,4%, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Três perfis de paciente passaram a dividir a mesma sala de espera. O primeiro tem indicação cirúrgica e hesita, porque quer tentar o remédio antes. O segundo já operou, recuperou parte do peso e usa a caneta para segurar o reganho. Já o terceiro operou há anos, convive com efeitos indesejados e pergunta se dá para desfazer a cirurgia e viver só com o remédio.

Uma decisão que deixou de ser binária

Um remédio com perda média de 20,9% do peso, medida no estudo SURMOUNT-1 com 2.539 adultos ao longo de 72 semanas, abriu um caminho do meio entre a dieta e o centro cirúrgico. O efeito é real, mas tem preço: o Conselho Federal de Medicina cita custo acima de R$ 45 mil por ano para o tratamento injetável.

A busca por desfazer a cirurgia bariátrica em Goiânia cresceu nos últimos anos, com pacientes chegando de outros estados, e a caneta entrou nessa conversa por um ângulo novo. Parte de quem pede a reversão imagina trocar o bypass pelo remédio. A avaliação, porém, começa por outro ponto: o que exatamente incomoda o paciente.

O que dá contorno ao debate é a regra do próprio CFM, de 20 de maio de 2025. O conselho passou a admitir a cirurgia com IMC entre 30 e 35 quando há diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave, apneia grave, gordura no fígado com fibrose, refluxo com indicação cirúrgica ou artrose grave. No ano em que a caneta ganhou registro, a indicação da cirurgia ficou mais ampla.

Cirurgia ou tirzepatida: o que os números comparam

A tabela reúne os dados disponíveis para os dois caminhos. Os percentuais da cirurgia vêm de acompanhamentos de cinco anos dos ensaios SM-BOSS e SLEEVEPASS; os da tirzepatida, das 72 semanas do SURMOUNT-1.

Comparação dos dois caminhos
CritérioCirurgia bariátricaTirzepatida (Mounjaro)
Perda de peso média22,2% (bypass) em cinco anos20,9% em 72 semanas
DuraçãoDuradoura; reganho em 34% em dez anosEnquanto durar o uso
CustoPlano ou SUS, fila de até mil diasAcima de R$ 45 mil por ano
ReversibilidadeBypass, sim; sleeve, nãoSuspensão a qualquer momento
Quem é candidatoIMC acima de 40, ou 35 com doençasAdultos com obesidade

O que perguntar na consulta antes de decidir

Quem chega ao consultório com as três opções na cabeça costuma sair com mais dúvidas do que entrou; a lista abaixo organiza o que levantar.

  1. Qual é o IMC atual e quais doenças já existem.
  2. Quanto do peso perdido voltou e se está dentro do esperado.
  3. Se o sintoma que motiva a reversão tem tratamento clínico.
  4. Quanto custa manter a caneta por cinco anos e o que acontece ao parar.
  5. Qual técnica foi usada, já que o sleeve não tem reversão.

Quem ainda não operou e agora hesita

É o grupo que mais cresceu. A alta de 1,4% nas cirurgias em 2025 esconde uma queda de 2,8% entre os planos de saúde, que fizeram 62.220 procedimentos, compensada pelo SUS, que saltou 25,4%, para 14.128. Quem tem plano e pode pagar a caneta está adiando; quem depende da fila pública, que passa de mil dias em alguns estados, segue operando.

Para quem tem IMC acima de 50, a hesitação tem pouco respaldo. A Portaria 424 do Ministério da Saúde, de 2013, e a norma do CFM apontam a cirurgia como tratamento de escolha nessa faixa. Nenhum estudo mostra a caneta levando esse paciente a um peso seguro de modo duradouro. Na comparação entre bariátrica e Mounjaro, a tirzepatida tem lugar mais claro entre 30 e 40 de IMC.

Quem já operou e usa a caneta contra o reganho

Recuperar de 5% a 10% do excesso perdido nos primeiros 24 meses é considerado normal. O problema começa quando a curva não para. O estudo sueco SOS, com 4.047 pacientes, registrou reganho em 34% dos operados dez anos depois do bypass.

A fome ajuda a explicar. A queda da grelina depois da cirurgia é parcial e se recupera com o tempo; o apetite costuma voltar entre 6 e 18 meses, quando o peso estabiliza. Aí a caneta funciona como reforço do que a cirurgia fez, não como substituta.

Bariátrica e Mounjaro: trocar a cirurgia pelo remédio nem sempre é possível

A ideia de trocar uma coisa pela outra parte de uma premissa errada: a reversão do bypass não é feita para controlar peso, e sim para tratar complicação. Uma revisão sistemática de 2016 na Surgery for Obesity and Related Diseases reuniu 100 pacientes revertidos em 35 estudos. Os motivos foram desnutrição em 12,3% dos casos, síndrome de dumping grave em 9,4%, hipoglicemia após as refeições em 8,5% e perda de peso excessiva em 8,5%.

Depois da reversão, o peso voltou em 28,8% dos pacientes, o refluxo apareceu em 10,2% e a dor abdominal em 6,8%, sem nenhuma morte registrada. Quem desfaz o bypass por escolha, contando com a caneta para segurar a balança, assume o custo anual do remédio como condição permanente.

Há ainda a técnica: o sleeve retira cerca de 80% do estômago e não tem reversão; o bypass não retira nada e pode ser revertido.

Dumping e hipoglicemia: quando o incômodo justifica mexer de novo

Cerca de 10% dos operados de bypass têm hipoglicemia clinicamente reconhecida, em geral de 1 a 3 horas depois de comer, e menos de 1% precisa de internação. O dumping é mais frequente: em estudo brasileiro publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 44% dos pacientes de bypass relataram sintomas, proporção que subiu para 76% pelo escore de Sigstad.

Os sintomas mais citados foram necessidade de deitar (88%), cansaço (69%) e sonolência (69%), mas só 28% se disseram incapacitados para tarefas do dia. A maioria melhora com mudança na dieta, e a reversão fica para a minoria que não responde.

O que a caneta não substitui

A posição da SBCBM e do CFM é a mesma: a tirzepatida não substitui a indicação cirúrgica nos casos graves. O SUS responde por cerca de 10% das cirurgias do país. Para esse público, discutir uma caneta de mais de 45 mil reais anuais é discutir algo que não existe.

Há também o calendário. Quem pensa em engravidar ouve da SBCBM a recomendação de esperar de 12 a 18 meses depois da cirurgia, pelo risco de desnutrição materna e de restrição do crescimento do bebê. Com o remédio, a interrupção é imediata, mas o peso perdido não tem garantia de ficar.

Perguntas frequentes sobre bariátrica e Mounjaro

Mounjaro substitui a cirurgia bariátrica?

Não nos casos graves. SBCBM e CFM mantêm a cirurgia como indicação para IMC acima de 40, ou acima de 35 com doenças associadas.

Quem já fez bariátrica pode usar Mounjaro?

Pode, com acompanhamento. É um dos usos mais comuns hoje, voltado ao reganho de peso anos depois do bypass ou do sleeve.

Dá para reverter o bypass e usar só a caneta?

O bypass é reversível, mas a reversão é indicada para complicações, não para trocar de tratamento. Depois dela, 28,8% dos pacientes recuperam peso.

Quanto custa manter a tirzepatida?

O CFM cita valor acima de R$ 45 mil ao ano, e a despesa se repete enquanto o uso durar.

Sleeve também pode ser desfeito?

Não. O sleeve retira cerca de 80% do estômago, e essa parte não volta. Só o bypass admite reversão.

Quanto peso volta depois da bariátrica?

Recuperar de 5% a 10% do excesso perdido em 24 meses é esperado. O estudo SOS registrou reganho em 34% em dez anos.

Resumo

A caneta mudou a conversa sobre bariátrica e Mounjaro, mas não a hierarquia das indicações. A cirurgia segue como tratamento dos casos graves; a tirzepatida ganhou espaço nas faixas menores de IMC e como reforço contra o reganho; a reversão do bypass fica reservada a complicações como desnutrição, dumping grave e hipoglicemia.

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