Servidores terceirizados da saúde pública do Rio Grande do Norte denunciam atrasos no pagamento de salários e benefícios. A situação tem impactado a vida dos trabalhadores e o funcionamento de hospitais da rede estadual. As reclamações incluem vencimentos em atraso, vales-alimentação não pagos, férias pendentes e falta de depósitos do FGTS.
Segundo relatos de funcionários, muitos profissionais enfrentam dificuldades para pagar despesas básicas, como aluguel, contas de água e energia, além da compra de alimentos. Francisco Carlos, higienista de uma empresa terceirizada que atua em hospitais da região do Seridó, afirma que a categoria vive uma situação crítica. De acordo com ele, há trabalhadores sobrevivendo com doações enquanto aguardam o pagamento de direitos trabalhistas.
O coordenador do Centro de Saúde do Seridó, José Joaquim, disse que o problema atinge diferentes empresas terceirizadas contratadas pelo governo estadual, entre elas JMT e Interfort. Segundo ele, há casos de profissionais que ainda aguardam o pagamento do 13º salário, férias, vales-alimentação e salários atrasados.
A crise também reflete na rotina das unidades de saúde. De acordo com os relatos, o acúmulo de lixo já é observado em alguns hospitais, enquanto setores considerados essenciais, como UTIs, operam sob forte pressão. Mesmo diante das dificuldades, trabalhadores seguem mantendo parte dos serviços em funcionamento. Segundo José Joaquim, mais de 50% das atividades continuam sendo realizadas, mas a continuidade depende da regularização dos pagamentos.
Funcionários também relatam prejuízos à saúde mental, citando episódios de estresse, ansiedade e adoecimento emocional por causa da insegurança dos atrasos. Os trabalhadores questionam quem é o responsável pela demora na quitação dos valores. Segundo os relatos, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte informou que realizou os repasses às empresas terceirizadas, enquanto os funcionários afirmam que os pagamentos ainda não chegaram às suas contas.
Diante do cenário, representantes da categoria defendem mudanças no modelo de contratação da saúde pública, com a realização de concursos públicos e redução da dependência de empresas terceirizadas. Também pedem atuação dos órgãos de fiscalização para acompanhar o caso. Os trabalhadores alertam que o movimento grevista, iniciado de forma parcial, poderá ser ampliado caso a situação não seja regularizada.
Em nota, a Sesap informou que realizou, na sexta-feira (24), o repasse de mais de R$ 4 milhões a seis empresas terceirizadas responsáveis por serviços nas unidades da rede estadual de saúde. A pasta acrescentou que novos pagamentos foram efetuados na segunda-feira (27), com o objetivo de regularizar a situação financeira das prestadoras de serviço. A secretaria afirma que mantém diálogo com representantes dos trabalhadores e das empresas terceirizadas para buscar uma solução para o impasse.
Nos últimos dias, funcionários promoveram manifestações nas proximidades do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, cobrando o pagamento dos valores em atraso.
