Conheça as causas e opções de tratamento para a Síndrome de Cushing 1


[caption id="attachment_13879" align="alignleft" width="257"]Síndrome de Cushing Aparência característica de portadores da Síndrome de Cushing[/caption]

A Síndrome de Cushing, também chamada de hipercortisolismo, é uma doença ocasionada por uma desordem endócrina, ou seja, se desenvolve pela alteração da quantidade de hormônios glicocorticoides disponíveis no corpo. A disfunção na produção destes hormônios pode ocorrer por algum problema na hipófise, ou pelo uso de medicamentos corticoides.

É uma doença que se caracteriza por sintomas diversos, sendo principalmente perceptível o aumento do peso, acúmulo de gordura no pescoço, face e na região abdominal acompanhado pela formação de estrias largas.

O principal hormônio relacionado à Síndrome de Cushing é o cortisol, que entre outras funções controla o metabolismo e distribuição de gordura corporal. É liberado pela glândula adrenal ou suprarrenal, e sua produção controlada por uma segunda glândula que é a hipófise localizada no cérebro.

A Síndrome de Cushing atinge uma em cada 500 mil pessoas no mundo todo, mas afinal: Porque a doença se manifesta? Quais os principais sintomas? Acompanhe no artigo a seguir a resposta para estas e outras perguntas:

Quais as causas?

Nosso sistema endócrino é composto por glândulas responsáveis pela produção de hormônios que atuam controlando várias funções do corpo. Entre os hormônios produzidos está o cortisol, liberado pelas glândulas adrenais após sinalização dada pela hipófise. Quando em quantidades excessivas, o cortisol causa o desenvolvimento da Síndrome de Cushing, também chamada de hipercortisolismo.

Função do cortisol

O cortisol tem papel na reposta ao estresse, manutenção da pressão arterial, funcionamento do sistema imunológico, metabolismo e distribuição de gordura corporal.  Quando em quantidades adequadas promove metabolismo de gordura, carboidratos e proteínas para gerar energia, entretanto, quando em excesso por longos períodos gera o acúmulo de gordura em regiões específicas do corpo como tronco e face.

A disfunção quanto à produção de cortisol ocorre basicamente em duas situações:

  1. Quando há uso prolongado de corticoide (Síndrome de Cushing exógena):

Glicocorticoides são muito utilizados clinicamente para tratamento de doenças autoimunes, inflamatórias e alérgicas. O uso de doses inapropriadas ou por períodos muito prolongados podem gerar efeitos colaterais que se estendem desde a supressão do eixo hipotálamo–hipofisário–adrenal e síndrome de Cushing até infecções e alterações do status mental.

É a forma mais comum de manifestação da síndrome e é temporário, desaparecendo após a interrupção do tratamento com corticosteroide pelo paciente.

  1. Por alteração na hipófise ou nas glândulas adrenais (Síndrome de Cushing endógena):

É a forma mais rara da síndrome e se desenvolve de forma mais lenta, dificultando o diagnóstico antecipado. Se desenvolve por um problema nas glândulas adrenais (suprarrenais) ou na hipófise.

A formação um tumor nas glândulas adrenais, que normalmente não é maligno, causa a produção excessiva de cortisol. Já quando a formação tumoral ocorre na hipófise, a disfunção é na produção de ACTH (hormônio que estimula a glândula adrenal), consequentemente a produção de cortisol também é comprometida.

Características da síndrome Cushing

São sintomas característicos da síndrome:

  • Aumento de peso (especialmente concentrada na parte abdominal);
  • Face arredondada e excesso de gordura entre os ombros e acima das clavículas;
  • Desenvolvimento de diabetes, altos níveis de açúcar no sangue;
  • Pressão arterial elevada (hipertensão);
  • Ossos frágeis (osteoporose);
  • Fraqueza;
  • Perda de massa magra e músculo esquelético;
  • Pele frágil e fina;
  • Estrias avermelhadas e roxas (normalmente no abdômen e abaixo dos braços);
  • Depressão e dificuldade no raciocínio;
  • Desenvolvimento de pelo facial no rosto da mulher;
  • Infertilidade ou problemas no ciclo menstrual;
  • Déficit de crescimento e obesidade nas crianças

Aparência característica de portadores da Síndrome de Cushing

Como é realizado o diagnóstico?

Como o cortisol é o principal envolvido no desenvolvimento da síndrome, o exame mais indicado e específico é a dosagem de cortisol na saliva à meia-noite.

Em condições normais a produção de cortisol é suprimida à noite, mas, se o nível de cortisol estiver acima de 50 Nano mols/litro pode ser indicativo da síndrome.

De forma complementar é realizado um teste de dosagem de cortisol sanguíneo pela manhã, após ingestão de um medicamento corticosteroide como a dexametasona na noite anterior, e pela manhã é feita a coleta do sangue ou até urina. Em condições normais o nível de cortisol é baixo, caso isso não ocorra também pode ser indicativo de patologia.

Como tratar a Síndrome de Cushing?

Para pacientes em que a causa da síndrome está relacionada com o uso prolongado de medicação corticosteroide a alteração da dosagem ou a suspensão do tratamento podem ser suficientes para controlar os sintomas.

Importante saber que esta redução da dosagem do corticosteroide precisa ser realizada de forma gradativa para que a redução do processo inflamatório objeto do tratamento principal com esta medicação não seja prejudicada.

Com o uso prolongado de corticosteroide o corpo está habituado a um estímulo para a produção do cortisol. A suspensão abrupta do uso do medicamento não pode ocorrer pois desta forma os níveis de cortisol reduzirão muito rapidamente, e as funções básicas controladas pelo hormônio ficam comprometidas.

Para os casos onde a Síndrome de Cushing é endógena, a primeira opção é relacionada à realização de processo cirúrgico para a remoção do tumor quando está localizado na hipófise, sendo considerado um procedimento muito complexo.

Quando o tumor está localizado nas glândulas adrenais, a retirada completa pode ser necessária.

É comum após a realização da cirurgia que pacientes precisem de sessões adicionais de radioterapia e uso de medicação adicional que auxilie na produção de cortisol.

Com o tratamento adequado a produção do cortisol retoma a conduções normal e os sintomas podem melhorar muito. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado mais fácil de reverter os principais sintomas característicos da Síndrome de Cushing.

 

Referências
RAFF, Hershel. Cushing syndrome: update on testing. Endocrinology and metabolism clinics of North America, v. 44, n. 1, p. 43-50, 2015.

ESPOSITO, Katherine et al. Cushing syndrome, metabolic syndrome and inflammation: a suggested way out. Reviews in endocrinology and metabolism, v. 1, n. 1, p. 41-45, 2013.


Sobre Galdino

Paixão por saúde e qualidade de vida. Desde 2013 buscando informações sobre a melhor maneira de se viver com mais saúde e melhor qualidade de vida. Mantenho alguns blogs com o objetivo principal de passar adiante as informações e o conhecimento que tenho adquirido ao longo desse tempo. Durante esses anos tenho "corrido" atrás de conteúdos relevantes que, de alguma forma possa me ajudar e ajudar outras pessoas a viver com mais qualidade de vida. Ps. Tenho 47 anos, sou goiano, evangélico, solteiro e tenho um filho de 13 anos, motivo do meu orgulho e alegria. Sou apaixonado séries e filmes de ação e adoraria aprender tudo sobre fotografia.


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