Obesidade central e visceral: Por que perder gordura da barriga?


Obesidade central e visceralA obesidade é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e aumento do peso corporal. Estudos científicos têm revelado que a obesidade, inclusive a obesidade central, está associada a efeitos negativos sobre a saúde e redução da expectativa de vida.

A obesidade é, na maioria das vezes, definida como um Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 30. E o IMC elevado está associado com o aumento do risco de pressão alta, distúrbios lipídicos, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. No entanto, a definição de IMC tem vários problemas. Ele não leva em conta diferentes quadros do corpo e não faz distinção entre músculo e gordura.

Muitos indivíduos com IMC elevado não têm as alterações metabólicas associadas à obesidade e não desenvolvem as complicações típicas desta doença. Além disso, muitos indivíduos com peso normal sofrem das mesmas anormalidades metabólicas que estão, geralmente, associadas com a obesidade, conforme uma pesquisa publicada no The American Journal of Clinical Nutrition.

Estes indivíduos são frequentemente definidos como metabolicamente obesos, de peso normal.

Obesidade central e visceral

Muitos estudos têm demonstrado que a forma do corpo e da distribuição regional de gordura pode ser mais importante para a saúde do que a quantidade total de gordura corporal. Mais importante ainda, demonstrou-se que a acumulação de gordura em torno dos órgãos internos pode desempenhar um papel-chave. Este fenômeno é muitas vezes chamado de obesidade visceral.

Recentes tecnologias de imagem, tais como a tomografia computadorizada e ressonância magnética tornaram possível separar a gordura localizada na cavidade abdominal de gorduras localizadas sob a pele do abdômen (gordura subcutânea).

O termo obesidade visceral define a acumulação excessiva de gordura em torno dos órgãos dentro da cavidade abdominal. Os termos obesidade central ou abdominal e gordura na barriga descrevem o acúmulo de gordura na parte superior do corpo e não diferenciam entre a acumulação de gordura visceral ou subcutânea. Geralmente, a obesidade abdominal é uma combinação de ambas.

Evidências de que o tecido adiposo visceral é mais prejudicial à saúde do que a gordura abdominal subcutânea estão emergindo rapidamente. Uma pesquisa realizada pelo Centro Hospitalar Universitário de Quebec, Canadá, sugere que indivíduos obesos com excesso de obesidade visceral têm um maior risco de diabetes, distúrbios lipídicos e doenças cardiovasculares do que aqueles com menos acúmulo de gordura visceral. 

Obesidade central e visceral

Imagem cortesia de jk1991 em FreeDigitalPhotos.net

“A obesidade central é definida como circunferência da cintura: 102 cm em homens e 89 cm em mulheres.”
Calcule aqui o seu: IMC masculino – IMC feminino.

Obesidade central e saúde

Como foi dito acima, estudos têm mostrado que o acúmulo de gordura na região do abdômen está associada a várias condições de doença, tais como:

  • Diabetes tipo 2,

  • Distúrbios lipídicos,

  • Pressão alta,

  • Doença cardiovascular

  • Alguns tipos de câncer

A maioria destes estudos têm utilizado a circunferência da cintura para definir a obesidade central, embora alguns tenham avaliado diretamente a gordura visceral, utilizando modernas técnicas de imagem.

Resistência à insulina e diabetes tipo 2

A resistência à insulina é definida como uma diminuição da resposta a uma dada concentração de insulina e está associada com o aumento do risco de diabetes tipo 2. Estas são as principais características entre as pessoas com obesidade central.

Na verdade, a obesidade central parece ser um melhor preditor de diabetes tipo 2 do que a obesidade geral avaliada pelo IMC, conforme foi comprovado em um estudo feito pelo Departamento de Nutrição Humana e Divisão de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade de Illinois, em Chicago, EUA.

Alterações lipídicas

Anormalidades lipídicas comumente associados com a obesidade central incluem altos níveis de triglicerídeos e baixos níveis de HDL (colesterol “bom”).

Pessoas com obesidade central, muitas vezes têm colesterol total normal e níveis relativamente normais de LDL (colesterol “ruim”). No entanto, muitas vezes elas possuem elevado número de partículas de LDL que pode ser medida por níveis elevados de LDL-P e apolipoproteína B. Um número elevado de partículas de LDL está associado ao aumento do risco de aterosclerose e de risco cardiovascular em geral.

A obesidade central é frequentemente associada com partículas pequenas e densas de LDL. Pequenas partículas de LDL se ligam fracamente com receptores LDL, tornando sua depuração da circulação menos eficiente. Portanto, pequenas partículas de LDL são susceptíveis de circular durante um tempo mais longo, aumentando o número total de partículas de LDL disponíveis. Além disso, a resistência à insulina agrava a depuração das partículas de LDL da circulação, de acordo com um estudo publicado na revista científica Diabetes & Metabolism, da Sociedade Francesa para o estudo do Diabetes.

A combinação de altos níveis de triglicerídeos, baixo HDL e partículas de LDL densas e pequenas, muitas vezes chamado de “tríade lipídico aterogênico”, está fortemente associado com o risco de doença cardiovascular.

Pressão alta

A pressão arterial elevada (hipertensão) é um fator de risco conhecido para a doença cardíaca e acidente vascular cerebral. A hipertensão é mais comum em pessoas obesas do que pessoas com peso normal.

Estudos descobriram que a obesidade central avaliada pela circunferência da cintura está associada com risco aumentado de hipertensão e um deles foi publicado na revista canadense de investigações de saúde Hypertension.

Doença cardiovascular

Estudos comprovam que a obesidade central é um preditor de doença cardiovascular e mortalidade, independente de fatores de risco tradicionais e IMC. Assim, a obesidade abdominal, parece ser um fator de risco mais fortes para a doença cardiovascular do que a obesidade geral, por si só.

Curiosamente, um estudo de saúde descobriu que o risco cardiovascular de mulheres com sobrepeso/obesidade sem obesidade central foi semelhante ao de mulheres com peso normal com obesidade central.

Um grande estudo feito sobre doenças do coração indica que a obesidade central foi um preditor mais forte de ataque cardíaco (enfarto do miocárdio) do que a obesidade geral avaliada pelo IMC.

Câncer

Os dados epidemiológicos têm mostrado uma associação entre a obesidade avaliada pelo IMC e aumento do risco de vários tipos de câncer. Conforme um estudo publicado no New England Journal of Medicine a obesidade, em geral, está associada a 13 tipos de câncer.

Dados semelhantes também indicam que a obesidade central pode estar associado com aumento do risco de câncer do cólon e do recto, câncer de mama, de próstata, e câncer do esôfago.

Por que acumulamos gordura abdominal?

Os mecanismos por trás da obesidade central são complicados. Mas, por que alguns indivíduos acumulam gordura no interior da cavidade abdominal, enquanto outros não?

Idade

Idade e sexo claramente desempenham um papel importante nisto. Os indivíduos jovens são mais propensos a armazenar o excesso de gordura sob a pele (gordura subcutânea) do que ao redor dos órgãos da cavidade abdominal.

A razão entre a gordura visceral abdominal e subcutâneo tende a aumentar com a idade. Além disso, as mulheres tendem a ter muito mais elevada proporção de gordura subcutânea do que visceral em comparação com os homens de mesma idade.

Sexo feminino e masculino

Os homens são muito mais propensos a acumular gordura na parte superior do corpo, enquanto que as mulheres muitas vezes acumular gordura nas partes inferiores do corpo, nos quadris e coxas.

Hormônios sexuais também parecem desempenhar um papel importante. Homens com baixos níveis de testosterona tendem a ter obesidade mais central do que aqueles com níveis normais. O tratamento com estrogênio em transexuais do sexo feminino para masculino parece aumentar o depósitos de gordura subcutânea em todas as áreas.

Genética

Estudos mostraram claramente a agregação de obesidade visceral em algumas famílias. Assim, os fatores genéticos parecem influenciar a quantidade de gordura que é armazenada sob a pele em comparação com o que é depositado ao redor dos órgãos viscerais.

Fatores nutricionais

Muito poucos estudos avaliaram os fatores nutricionais que podem estar ligados à obesidade central.

Alguns dados publicados recentemente na revista Journal of Atherosclerosis Research em um estudo revelaram que uma dieta mediterrânea suplementada com nozes está associado com menor obesidade central, níveis mais baixos de triglicerídeos, partículas de LDL menos pequenas e densas e menor número de partículas LDL.

O consumo de bebidas adoçadas com açúcar está associado com aumento do risco de obesidade e diabetes tipo 2. A ingestão de frutose aumenta os níveis de triglicérides e açúcar no sangue.

Na verdade, os dados sugerem que o consumo de frutose estimula a acumulação de gordura visceral mais do que a ingestão de outros açúcares simples, é o que mostra um estudo publicado na revista científica americana The Journal of Clinical Investigation.

Sedentarismo

Embora não tenha sido demonstrado que uma vida sedentária predispõe o acúmulo de gordura abdominal, há evidências de que o exercício regular está associado com menos obesidade central.

Uma revisão sistemática encontrou que a atividade física normal foi associada com uma redução acentuada na obesidade central, mesmo em estudos que não relatam reduções no peso corporal.

Por que devemos, e como podemos perder gordura da barriga?

A forte associação entre obesidade central e diversas doenças sugere que evitar o acúmulo de gordura abdominal, ou perder a gordura da barriga, pode reduzir o risco e melhorar a saúde. Qualquer intervenção que induza a perda de peso é susceptível de reduzir a gordura abdominal.


Sobre Lilian Silva

Bióloga e apaixonada pela escrita, estou sempre em busca de informações úteis as quais possam ser reunidas em textos que ajudem as pessoas.

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